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Mulheres garis de Acreúna denunciam servidor por abusos e assédio sexual: "Ele dizia 'me ajuda que eu te ajudo'"

"A gente chegava de madrugada pra bater o ponto e ele já começava, pegando nas nossas partes íntimas", relembra uma servidora da limpeza urbana do município.

 Foto de reprodução

 

Em conversa por telefone com a reportagem do Dia Online, Maria (nome fictício) não segura as lágrimas ao relatar uma rotina de trabalho que, segundo ela, foi marcada por assédio e abusos por parte de seu superior. A moça de 29 anos, agora ex-servidora da limpeza urbana de Acreúna, município a 150 quilômetros de Goiânia, é uma das mulheres que denunciaram recentemente o diretor da Divisão de Limpeza e Varrição Urbana de Acreúna, Genivaldo Rodrigues Alves. De acordo com elas, o servidor público se utilizava do cargo para praticar atos de assédio contra as profissionais da limpeza e pedir favores sexuais.

Maria teve sua exoneração confirmada no último dia 15 de agosto, após a abertura de um processo administrativo devido a faltas da servidora. A moça relata que não conseguia mais ir para o trabalho, uma vez que, segundo ela, o assédio e os abusos tornaram-se insuportáveis, principalmente após sua conversão à atual religião. Conforme a mulher, aprovada no concurso da Prefeitura em 2011, os assédios por parte de Genivaldo, que era chefe direto das servidoras da limpeza urbana de Acreúna, tiveram início ainda em 2012 e nunca pararam. “A gente chegava de madrugada pra bater o ponto e ele já começava, pegando nas nossas partes íntimas”, relembra.

Segundo ela, era um costume de Genivaldo mandar as servidoras para a realização da limpeza em locais afastados do perímetro urbano da cidade, uma vez que lá os atos sexuais seriam de fácil concretização. “Era o prazo de você chegar lá e ele já intimava: ‘Hoje você vai limpar tal lugar’. Quando ele dizia isso, quando mandava a gente pra Pecuária ou a Feira Coberta, a gente já sabia o que era. Lá não tinha nem jeito de gritar, nem nada”, revela.

Maria relata que Genivaldo oferecia uma espécie de “barganha” por meio de coação. Em troca de sexo, segundo ela, o encarregado se comprometia a não marcar faltas das servidoras e nem mandá-las para locais de difícil acesso de limpeza, além de pagar horas extras pelos “serviços prestados”. “Ele falava pra gente ‘Me ajuda que eu te ajudo’. Algumas mulheres aceitavam e não falavam nada, com medo de serem prejudicadas”.

A mulher ainda relembra que havia uma ameaça velada quanto às práticas de abuso. “Ele falava que se a gente contasse pra alguém, ia sobrar pra todo mundo”, diz.

“Se acontecer alguma coisa com meu emprego ou meu casamento, você me paga”, teria dito Genivaldo a outra suposta vítima

Maria não foi a única pessoa a denunciar o diretor da Divisão de Limpeza e Varrição Urbana de Acreúna. Além dela, outras quatro mulheres decidiram procurar as autoridades policiais para relatar assédio e abusos sexuais supostamente praticados por Genivaldo.

Ao Dia Online, uma delas, Joana (nome fictício), de 30 anos, contou que o homem teria usado os problemas de saúde da servidora para forçá-la a cumprir favores sexuais. “Eu tenho problema de saúde, tenho bronquite. Então ele usava isso. Pra não me mandar pra rua [para realização da limpeza] eu tinha que fazer o que ele pedia, tinha que ceder”.

Assim como Maria, Joana, que ainda trabalha na limpeza urbana de Acreúna, relatou que Genivaldo usava de locais estratégicos sem movimentação para cometer os abusos. “Ele forçava uma situação, em lugares que nem tinha como gritar”.

Joana conta que chegou a ser ameaçada quando decidiu denunciar. “Ele [Genivaldo] meu procurou quando soube que tinha uma denúncia contra ele. Ele falou “Se acontecer alguma coisa com meu emprego ou meu casamento, você me paga”.

Entretanto, segundo Joana, ela e Maria não foram as únicas vítimas de Genivaldo. Conforme a mulher, várias outras servidoras passaram pelas mesmas situações, mas têm medo de trazer o caso à tona. “Se for investigar, foram quase 20 mulheres. Eu nunca procurei a Justiça porque como eu tive uma infância muito traumática, eu nem sabia que aquilo que ele fazia comigo era um crime que eu podia denunciar”, diz.

Conforme apurado pelo Dia Online, quatro mulheres já procuraram a polícia para relatar os abusos. À reportagem, o delegado responsável pelo caso, Dr. Daniel, confirmou que o inquérito foi encaminhado ao Poder Judiciário e Genivaldo indiciado por posse sexual mediante fraude.

Defesa de servidor municipal de Acreúna nega acusações

A reportagem do Dia Online entrou em contato com o advogado de Genivaldo, Dr. Gustavo Barbosa. Segundo Gustavo, as acusações feitas contra seu cliente por parte das mulheres são falsas, e estão sendo usadas como justificativa para as faltas que resultaram no processo administrativo que, consequentemente, levou à exoneração delas.

O advogado ainda disse que conhece seu cliente de longa data, e que está certo que Genivaldo não praticou os atos denunciados.

Também ao Dia Online, o prefeito de Acreúna, Edmar Neto (PSDB), disse que uma procedimento administrativo foi aberto para apurar o caso, e que já determinou o afastamento de Genivaldo de suas funções até o fim da apuração. O Secretário de Obras, Infraestrutura, Planejamento Urbano e Meio Ambiente de Acreúna, Ronaldo Lamberte, confirmou o afastamento do servidor e disse que não vai tirar nenhum juízo do caso, mas que vai aguardar o resultado das investigações.

O secretário disse que só tomou conhecimento dos relatos de supostos abusos na última sexta-feira (13/9), e que tomou as providências cabíveis de imediato.

 

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