Caiado diz que novo decreto será 'rígido' e vai liberar só mecados, farmácias e setor de produção de alimentos em Goiás

13/05/2020

Governador afirma que medida mais dura visa aumentar índice de isolamento social e revela que não irá seguir decreto presidencial sobre serviços essenciais: 'De maneira alguma'

 

    Ronaldo Caiado fala sobre novo decreto para isolamento social, em Goiás — Foto: Reprodução/TV Anhanguera

 

O governador de Goiás, Ronaldo Caiado (DEM), afirmou nesta terça-feira (12) que vai baixar um novo decreto mais “rígido” em relação ao coronavírus e vai liberar somente serviços que ele considera essenciais, como supermercados e farmácias. O documento, ainda sem data para ser publicado, deve ser nos moldes do que foi editado em 13 de março, que determinou situação de emergência em saúde pública.

Em entrevista à Rádio CBN Goiânia, Caiado disse que a medida é importante para voltar a aumentar o índice de isolamento no estado e , assim, evitar a disseminação de coronavírus. Goiás já teve a maior quantidade de pessoas em casa no país, mas foi diminuindo a restrição e, agora, está entre os últimos estados em um ranking feito com base em dados de celulares.

Questionado se a situação no estado voltaria a ser como a estipulada no primeiro decreto, em março, Caiado respondeu: "Exatamente, voltará a ser apenas a parte essencial. Agora, com muito mais estrutura, com toda minha área de Segurança Pública".

O governador afirmou que o decreto está sendo redigido "rapidamente". Assim que o documento entrar em vigor, ele espera que o isolamento social volte a se aproximar dos 60%.

"Vamos baixar um decreto mais rígido e vamos fazer com que haja um fechamento significativo das atividades econômicas, prevalecendo apenas o que é essencial mesmo, o que significa hospitais, drogarias, supermercados e transformação de alimentos", enumerou.

 

O governador afirmou que o novo decreto deve ter prazo de 10 a 15 dias. Neste período, vai avaliar a situação dos casos de coronavírus no estado para decidir sobre novas regras de combate à pandemia.

 

Decreto presidencial

Caiado foi questionado se irá seguir o decreto do presidente Jair Bolsonaro, publicado na segunda-feira (11), o qual inclui na lista de "serviços essenciais" atividades de salões de beleza, barbearias e academias de esportes.

O governador afirmou que "não tem a menor hipótese" de acompanhar a decisão de Bolsonaro e fez críticas, especialmente, à liberação de funcionamento das academias de ginástica.

"De maneira alguma [irei seguir o decreto presidencial]. As exceções são em relação a farmácias, aos hospitais, a área de alimentação, de indústrias de transformação. É unicamente isso neste momento", pontua.

"Como você vai colocar uma pessoa convivendo em um ambiente fechado, as pessoas em intensa sudorese, tocando todos os aparelhos? Ali também tem gotículas de saliva, pessoas intercalando cada aparelho de academia. Não tem a menor hipótese, não será de maneira alguma autorizado no estado de Goiás", conclui.

'Fusquinha no Rali Paris-Dacar'

Caiado revelou que vai enviar uma comitiva aos EUA - não revelou a data - para analisar a qualidade e viabilizar a aquisição de respiradores. Ele relatou desconfiança acerca de aparelhos produzidos no Brasil e usou o Rali Paris-Dakar para comparar a qualidade em relação aos estrangeiros.

 

"Você comprar um aparelho, e ele funciona, um dia, dois dias, três dias. É como colocou um colega meu médico. [Perguntei] Esse aí é bom, esses que estão oferecendo da fábrica brasileira? Ele disse: 'Olha, Caiado, Recife comprou. A mesma coisa de você querer colocar um fusquinha para fazer o Rali Paris-Dakar. Ele não vai chegar nem no final do primeiro dia", disse.

O governador também falou que, neste momento de pandemia, é preciso mostrar "eficiência". Disse ainda que não iria "banalizar a vida", mas considera que o estado tem prestado um bom atendimento de saúde.

"O que temos de ter nessa hora é eficiência, demonstrar resultados. Ter leitos e ter o menor percentual - não gostaria de ter nenhum - de óbitos. Infelizmente, nós já temos 49 óbitos. Não vou banalizar a vida, mas conseguimos até agora dar um atendimento de qualidade a todas as pessoas que foram contaminadas e precisaram de atendimento de qualidade", destaca.

Hospital de Campanha

Caiado também comentou sobre o Hospital de Campanha que foi construído pelo governo federal em Águas Lindas de Goiás, no Entorno do DF. Ele afirmou que a estrutura já está pronta, mas ainda não entrou em funcionamento.

"Está planejado para que dia 21 seja repassado a nós. Daremos a equipe médica e de enfermagem para funcionamento do hospital de Águas Lindas", afirmou.

O governador falou sobre a preocupação que tem em não receber, no Hospital de Campanha, estrutura para os leitos de UTI que, segundo ele, estavam no planejamento inicial da unidade.

"O governo federal nos entregaria 40 leitos de UTI com monitores, respiradores, e 160 leitos de enfermaria com toda a tubulação montada. Mas a última informação é que vão entregar os 200, mas o único ponto que vão poder sustentar é a canalização de oxigênio", disse.

 

 

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